Financiamento

A Associação, no seu papel enquanto entidade gestora do EPR, necessita de garantir a sua sustentabilidade financeira e dos projetos associados. Este é um dos aspetos chave que devem ser discutidos e implementados no curto prazo, uma vez que a entidade gestora necessita de fundos para alavancar as ações necessárias á gestão de desenvolvimento da área produtiva.

Tessitore et al. (2015) analisou cerca de 19 casos de estudo de entidades gestoras de eco parquues, e concluiu que em cerca de metade dos casos o financiamento advinha de fundos públicos e venda de serviços às empresas (internas e externas a empresas dos parque industrial). O capital é reinvestido na infraestrutura ou em serviços de apoio do próprio Eco Parque, e em projetos dedicados que permitam aumentar a competitividade das empresas. Neste último caso, recorre-se igualmente aos fundos nacionais e internacionais em matéria de ambiente e desenvolvimento sustentável, como por exemplo as linhas previstas no Portugal 2020.

No horizonte 2027 é fundamental garantir esta sustentabilidade financeira, minimizando o financiamento por via dos contributos financeiros das associadas (via quotas), e diversificando e aumentando o peso da 1) obtenção de fundos públicos de suporte a projetos ambientais, sociais e de investimento; 2) da venda de serviços específicos a empresas (internas e externas ao EPR); e 3) da obtenção de margens associadas às reduções de custos ou ganhos adicionais oriundos de implementação de medidas ou sinergias facilitadas pela entidade gestora. As quotas e joias deverão ser adaptadas à medida que os serviços disponibilizados e as fontes de financiamento se diversifiquem, havendo, no entanto, também lugar a um ajustamento ao nível da alocação de recursos humanos da equipa técnica aos serviços às empresas presentes no EPR.

No entanto, importa considerar que estabelecimento de quotas e joias pode contribuir para comprometimento das empresas no desenvolvimento do EPR, quer do ponto de vista das infraestruturas como do ponto de vista estratégico, levando a uma participação mais ativa por parte das mesmas.

A tabela seguinte apresenta as ações que devem ser consideradas no estabelecimento do plano de financiamento da Associação EPR, devendo ser alvo de uma avaliação prévia com os vários grupos de interesse. A generalidade das ações neste eixo serão realizadas nos primeiros anos. Contudo, o reforço do peso das fontes de financiamento público e de financiamento direto deverá crescer progressivamente, ultrapassando a marca dos 50% do total de financiamento anual ainda dentro do primeiro quadriénio.

 

Natureza Exemplos de fontes
Financiamento direto  

  • Definição de modelo de quotas e jóias suportadas pelos membros afetos ao EPR, que deverão ter em  consideração:
    •   Faturação da empresa;
    •   Número de trabalhadores;
  • Financiamento público nacional/internacional para projetos:
    • Implementação de infraestruturas/transferência de tecnologias;
    • Desenvolvimento de produto/processo;
    • Investigação & Desenvolvimento;
Financiamento indireto: serviços internos/externos  

  • Alocação de publicidade no portal EPR e newsletters associadas;
  • Catálogo de serviços/tecnologias do EPR com destaques pagos;
  • Apoio na organização e preparação de elementos documentais relativos a:
    • Candidaturas a financiamento privado e público;
    • Licenciamentos;
    • Concursos;
    • Adesões a redes empresariais e outras;
    • Sistemas de gestão e formalidades legais (p.ex. MIRR, PCIP, sub-produto);
  • Desenvolvimento de cadernos de encargos e estudos de viabilidade técnico-económica;
  • Auditorias e monitorização ambiental;
  • Formação em sistemas de gestão ambiental, implementação de instrumentos políticos (legislação ambiental, ordenamento, etc.);
  • Avaliação de oportunidades em produção mais limpa/eco eficiência nas empresas (custo fixo ou success fee + custo fixo);
  • Organização de eventos de networking, conferências;
  • Facilitação transferência de tecnologia /brokering/comércio de emissões/comércio de resíduos;
  • Benchmarking de oportunidades de financiamento/tecnologias/parcerias;
  • Desenvolvimento de conteúdos informativos para newsletters, websites associados à temática ambiental;